Fatores de Risco para Varizes: Salto Alto, Sedentarismo e o que a Ciência Realmente Diz

Por Ana Helena Lopes · Fisioterapeuta · Goiânia, GO

Atualizado em abril/2026

Hereditariedade, sedentarismo, ortostatismo prolongado, obesidade, gestação e hormônios — quais fatores têm evidência real e como a compressoterapia preventivaUso de meias ou bandagens de compressão graduada como medida preventiva em indivíduos com fatores de risco para insuficiência venosa crônica, antes que as varizes se instalem ou progridam. Evidências de classe I-B suportam seu uso em populações de risco. (Rabe et al., 2020) e os exercícios podem modificar esse risco.

Avaliação

As varizesDilatação permanente e tortuosidade das veias superficiais causada pela falência progressiva das válvulas venosas, que permite o refluxo sanguíneo retrógrado e o aumento da pressão hidrostática local. Classificadas de C1 a C6 pela classificação CEAP, afetam 20–35% da população adulta, com prevalência significativamente maior em mulheres. (Lurie et al., 2020) afetam entre 20 e 35% da população adulta, com prevalência significativamente maior em mulheres — chegando a 40% após os 50 anos. (AZAR; RAO; OROPALLO, 2022) Apesar da alta prevalência, persiste muita desinformação sobre quais fatores realmente aumentam o risco e quais medidas de prevenção têm evidência científica. Boa parte do que circula nas redes sociais sobre varizes — de cremes milagrosos a proibição total de salto alto — mistura fatos, exageros e mitos.

Este artigo mapeia os fatores de risco com base em evidências, hierarquiza o que tem maior peso e apresenta as intervenções preventivas que realmente funcionam — com ou sem prescrição médica. O objetivo não é alarmar, mas orientar: entender os fatores de risco é o primeiro passo para agir antes que as varizes se instalem ou progridam.

Por que as varizes se formam: o mecanismo essencial

A formação de varizes começa com a falência progressiva das válvulas venosasEstruturas semilunares presentes no interior das veias que impedem o refluxo sanguíneo, garantindo o fluxo unidirecional em direção ao coração. Quando essas válvulas se tornam incompetentes, o sangue reflui e acumula nas veias, aumentando a pressão hidrostática e dilatando progressivamente a parede venosa. (Lurie et al., 2020). Quando essas válvulas não fecham adequadamente, o sangue reflui durante a fase de relaxamento muscular, aumentando a pressão na parede venosa — chamada hipertensão venosaAumento persistente da pressão no interior das veias dos membros inferiores por incompetência valvular e refluxo sanguíneo. É o mecanismo central da insuficiência venosa crônica e a causa primária do edema, das alterações cutâneas e das úlceras venosas. (Raffetto et al., 2021). (LURIE et al., 2020)

A progressão envolve inflamação da parede venosa, remodelamento do colágenoProteína estrutural que compõe a parede venosa. Na insuficiência venosa crônica, o remodelamento do colágeno sob pressão crônica leva a enfraquecimento e dilatação progressiva da parede — mecanismo que explica por que varizes tendem a piorar ao longo dos anos sem tratamento ou prevenção adequada. (Bergan et al., 2006) da parede venosa e apoptoseMorte celular programada das células musculares lisas da parede venosa, induzida pelo estresse hemodinâmico crônico. Contribui para o enfraquecimento progressivo das varizes e para a dificuldade de reversão do quadro nos estágios avançados. (Raffetto et al., 2021) das células musculares lisasCélulas presentes na camada média (túnica média) da parede venosa, responsáveis pela contração e tonicidade dos vasos. Na insuficiência venosa crônica, o estresse hemodinâmico crônico induz morte progressiva dessas células, enfraquecendo a parede da veia e perpetuando sua dilatação. (Bergan et al., 2006). Isso explica por que varizes não tratadas tendem a progredir ao longo dos anos — e por que a prevenção ativa, com controle dos fatores de risco modificáveisCondições ou comportamentos que aumentam a probabilidade de desenvolver uma doença e que podem ser alterados por intervenção clínica ou mudança de hábito. Nas varizes, incluem sedentarismo, ortostatismo prolongado, obesidade e uso de anticoncepcionais hormonais — diferentemente dos fatores não modificáveis, como hereditariedade e sexo feminino. (Rabe et al., 2020), tem impacto real no prognósticoPrevisão da evolução esperada de uma condição clínica ao longo do tempo, com ou sem tratamento. Para as varizes, sem intervenção o prognóstico tende à progressão — piora da insuficiência venosa, edema crônico e, nos casos mais graves, úlceras venosas. O controle dos fatores modificáveis tem impacto direto e documentado no curso da doença. (Raffetto et al., 2021). (BERGAN et al., 2006)

Fatores de risco não modificáveis

Hereditariedade

O maior fator de risco individual. Quem tem ambos os pais com varizes tem até 90% de probabilidade de desenvolvê-las. Com apenas um dos pais afetado, o risco é de 25–62%. (Cornu-Thénard et al., 1994)

Sexo feminino

Mulheres têm 2–3 vezes mais varizes que homens. Os hormônios femininos — especialmente a progesterona — relaxam a parede venosa, aumentando a distensibilidade venosa e a propensão ao refluxo. (Rabe et al., 2020)

Idade

A prevalência aumenta progressivamente com a idade — de ~10% aos 20–29 anos para ~40% após os 50. O envelhecimento reduz a elasticidade e competência das válvulas. (Azar et al., 2022)

Multiparidade

Cada gestação aumenta o risco de varizes e insuficiência venosa crônica. A prevalência dobra após duas ou mais gestações, em comparação a mulheres nulíparasMulheres que nunca tiveram partos. Em epidemiologia vascular, servem como grupo de referência para comparação do risco de varizes e insuficiência venosa, uma vez que a gestação é fator de risco independente e cumulativo para o desenvolvimento de insuficiência venosa crônica. (Heit et al., 2005). (Heit et al., 2005)

Esses fatores não podem ser eliminados — mas identificá-los é fundamental para antecipar as estratégias de prevenção em quem tem risco elevado, antes mesmo que as varizes apareçam.

Fatores de risco modificáveis — onde a prevenção age

Sedentarismo e falência da bomba muscular

A bomba muscular da panturrilhaPrincipal mecanismo ativo de retorno venoso nos membros inferiores. A contração rítmica dos músculos da panturrilha durante a caminhada comprime as veias profundas e impulsiona o sangue contra a gravidade em direção ao coração. Em repouso ou com sedentarismo, essa bomba fica inativa e o sangue se acumula nas veias distais. (Nicolaides et al., 2020) é responsável por impulsionar até 80% do retorno venoso nos membros inferiores. O sedentarismo desfaz esse mecanismo: sem a contração muscular rítmica, o sangue se acumula nas veias distaisReferente à extremidade mais afastada do coração no trajeto vascular. Nos membros inferiores, as regiões distais — tornozelos e pés — são as mais vulneráveis ao acúmulo de sangue por estase venosa, pois a pressão hidrostática é máxima nessa região e a bomba muscular da panturrilha é o principal mecanismo de retorno ativo. (Nicolaides et al., 2020), elevando progressivamente a pressão venosa. (NICOLAIDES et al., 2020)

Estudos epidemiológicosInvestigações científicas que analisam a distribuição, os determinantes e a frequência de condições de saúde em populações. No contexto das varizes, estudos como o Edinburgh Vein Study forneceram as estimativas de prevalência por sexo, faixa etária, ocupação e fatores de risco que embasam as diretrizes clínicas atuais. (Langer, 2021) demonstram que o sedentarismo é fator de risco independente para varizes, com odds ratioMedida estatística que expressa a razão entre a chance de desenvolver uma condição em um grupo exposto a um fator de risco versus a chance no grupo não exposto. OR = 1 indica sem associação; OR > 1 indica aumento do risco; OR < 1 indica fator protetor. (Hennekens & Buring, 1987) de 1,7–2,2 em revisões sistemáticasSíntese estruturada e reprodutível de toda a evidência científica disponível sobre uma questão clínica, seguindo critérios metodológicos rigorosos para seleção e avaliação dos estudos. São consideradas o nível mais alto de evidência em hierarquia de pesquisa clínica, junto com as metanálises. (Sackett et al., 1996). (LANGER, 2021)

Ortostatismo prolongado — o fator mais subestimado

O ortostatismo prolongadoPermanência na posição vertical (em pé) por períodos prolongados sem movimento. Nessa posição, a pressão hidrostática nas veias dos membros inferiores aumenta proporcionalmente à altura da coluna sanguínea — podendo atingir 80–100 mmHg nos pés, contra os ~20 mmHg no coração. Sem a ativação da bomba muscular, esse aumento de pressão favorece o refluxo e a dilatação venosa. (Rabe et al., 2020) é frequentemente apontado como o segundo fator de risco modificável mais importante para varizes, especialmente em profissões que exigem ficar de pé por muitas horas: comerciantes, professores, profissionais de saúde, cabeleireiros, cozinheiros. (RABE et al., 2020)

Em ortostatismo estático, a pressão venosa nos pés pode atingir 80–100 mmHg — mais de quatro vezes a pressão em repouso deitado. Profissionais que ficam de pé por mais de 6 horas por dia têm prevalência 30–50% maior de varizes em comparação a quem permanece predominantemente sentado ou em movimento. (LANGER, 2021) O remédio não é sentar — é mover: microparasas ativasPequenas pausas deliberadas de 30–60 segundos intercaladas durante períodos prolongados de ortostatismo ou sedestação, nas quais se realizam contrações ativas dos músculos da panturrilha — dorsiflexão, plantarflexão e elevação dos calcâneos. Ativam a bomba muscular e reduzem a pressão venosa distal de forma imediata e eficaz. (Rabe et al., 2020) com contração muscular do tornozelo a cada 20–30 minutos neutralizam grande parte desse risco.

Sedestação prolongada — o risco do trabalho remoto

A sedestação (ficar sentado) por longos períodos também compromete o retorno venoso — especialmente quando as pernas ficam dependentes e os pés não tocam o chão. A compressão da veia poplíteaVeia profunda localizada na fossa poplítea (região posterior do joelho), formada pela confluência das veias tibiais. É um ponto crítico no retorno venoso dos membros inferiores e frequentemente comprimida pela borda do assento em sedestação prolongada, reduzindo o fluxo venoso e favorecendo a estase. (Nicolaides et al., 2020) pelo assento, associada à inatividade muscular, favorece a estase venosaDesaceleração ou interrupção do fluxo sanguíneo venoso, com acúmulo de sangue nas veias. É um dos três elementos da tríade de Virchow — fator central tanto na gênese da trombose venosa quanto da hipertensão venosa crônica das varizes. No trabalho sentado, resulta da inatividade muscular e da compressão local da veia poplítea. (Bergan et al., 2006).

O crescimento do trabalho remoto e sedentário aumentou a relevância desse fator. A orientação para quem trabalha sentado é idêntica à do ortostatismo: pausas ativas a cada 30–45 minutos, exercícios de tornozelo durante o trabalho e caminhada regular ao longo do dia. (NICOLAIDES et al., 2020)

Obesidade: mecanismo complexo e multifatorial

A obesidade aumenta o risco de varizes por múltiplos mecanismos: aumento da pressão intra-abdominal que dificulta o retorno venoso, inflamação sistêmicaEstado de ativação crônica do sistema imunológico com liberação de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-6, PCR elevada) que afeta múltiplos tecidos. Na obesidade, essa inflamação crônica de baixo grau compromete a integridade endotelial venosa e contribui para a progressão da insuficiência venosa e para o risco aumentado de eventos trombóticos. (Bergan et al., 2006) que compromete a integridade da parede venosa, sobrecarga mecânica nos membros inferiores e tendência à sedestação e ortostatismo prolongados. (BERGAN et al., 2006)

Cada unidade de IMC acima de 25 kg/m² está associada a aumento proporcional no risco de insuficiência venosa crônicaCondição em que as veias dos membros inferiores não funcionam adequadamente para retornar o sangue ao coração, resultando em hipertensão venosa crônica. Manifesta-se progressivamente desde varizes e edema até úlceras venosas. A classificação CEAP estratifica a gravidade de C0 a C6. (Rabe et al., 2020). Dados do Edinburgh Vein Study — um dos maiores estudos epidemiológicos sobre varizes — mostraram OR de 2,0 para IVC em mulheres obesas em comparação a eutróficasIndivíduos com peso corporal dentro da faixa de normalidade para a estatura (IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m²). Em estudos epidemiológicos, o grupo eutrófico é o referencial de comparação para estimativa do risco adicional conferido pelo sobrepeso e pela obesidade em condições como insuficiência venosa crônica. (Robertson et al., 2008). (ROBERTSON et al., 2008)

Salto alto: o debate real

A relação entre salto alto e varizes é mais complexa do que "salto alto causa varizes". A evidência científica mostra que calçados com salto acima de 5 cm reduzem a amplitude de movimento do tornozeloArco de movimento articular do tornozelo, especialmente a dorsiflexão (flexão do pé em direção à perna). A amplitude de movimento do tornozelo é diretamente proporcional à ativação da bomba muscular da panturrilha — quanto menor a amplitude, menor a eficiência da bomba e maior o risco de estase venosa. (Nair, 2010) durante a marcha, diminuindo a eficiência da bomba muscular da panturrilha. (NAIR, 2010)

No entanto, isso não significa que usar salto alto ocasionalmente cause varizes em pessoas sem outros fatores de risco. O problema real é o uso prolongado de salto alto combinado com ortostatismo estático — ficar parada de salto alto é muito mais prejudicial do que caminhar com salto moderado. Para quem já tem insuficiência venosa ou fatores de risco significativos, a recomendação é limitar o salto a <4 cm ou usar calçados com salto anatômico que permita boa dorsiflexãoMovimento do pé em direção à perna (elevação da ponta do pé), que ativa o músculo tibial anterior e os músculos da panturrilha. É o componente-chave da bomba muscular do tornozelo — exercícios repetidos de dorsiflexão e plantarflexão são a intervenção de primeira linha para melhora do retorno venoso em ortostatismo ou sedestação prolongados. (Nair, 2010). (RABE et al., 2020)

Hormônios: anticoncepcionais e TRH

O uso de anticoncepcionais orais combinados — especialmente formulações com etinilestradiolForma sintética do estrogênio utilizada em anticoncepcionais hormonais combinados. Aumenta a síntese hepática de fatores de coagulação (fibrinogênio, fatores II, VII, X), reduz a proteína S anticoagulante e contribui para o estado de hipercoagulabilidade, elevando o risco de trombose venosa profunda e de progressão da insuficiência venosa. (Lidegaard et al., 2012) — está associado a aumento de risco trombótico e pode acelerar a progressão de varizes em mulheres com fatores de risco. (LIDEGAARD et al., 2012) A terapia de reposição hormonal oral na menopausa tem perfil de risco similar. Formulações transdérmicasFormas farmacêuticas aplicadas sobre a pele — adesivos, géis ou sprays — que liberam o princípio ativo diretamente na corrente sanguínea, contornando o metabolismo hepático de primeira passagem. Na terapia hormonal, as formulações transdérmicas de estrogênio têm menor impacto nos fatores de coagulação do que as orais, resultando em risco trombótico significativamente menor. (Lidegaard et al., 2012) têm menor impacto no risco trombótico que as orais. A decisão sobre o tipo de contracepção deve considerar o histórico vascular individual.

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Meia compressiva: o que as evidências dizem

As meias de compressão graduada têm o maior nível de evidência entre as medidas conservadoras para prevenção e tratamento de varizes. Uma metanáliseTécnica estatística que combina quantitativamente os resultados de múltiplos estudos independentes sobre um mesmo tema, aumentando o poder estatístico e a precisão das estimativas. Junto com as revisões sistemáticas, representa o nível mais alto de evidência na hierarquia científica. Em flebologia, metanálises embasam as recomendações sobre compressoterapia, venotônicos e exercício. (Perrin et al., 2013) publicada no International Angiology analisou 23 estudos controlados e demonstrou que o uso regular de meias compressivas reduz o edema vespertino em 60–70%, melhora os sintomas de cansaço e peso nas pernas e reduz a progressão da insuficiência venosa. (PERRIN et al., 2013)

A classe de compressão deve ser prescrita de acordo com a gravidade do quadro. Para prevenção em pessoas com fatores de risco, a classe I (15–21 mmHg) é suficiente na maioria dos casos. Para quem já tem varizes com edema ou insuficiência venosa documentada, a classe II (23–32 mmHg) é o padrão recomendado pelas diretrizes europeias. (RABE et al., 2020)

Classe I — 15–21 mmHg

Prevenção em pessoas com fatores de risco (gestação, ortostatismo, histórico familiar). Cansaço e sensação de peso nas pernas.

Classe II — 23–32 mmHg

Varizes moderadas a graves, edema venoso, insuficiência venosa documentada (CEAP C2–C4), gestantes com varizes.

Classe III — 34–46 mmHg

Edema grave, linfedema associado, úlcera venosaLesão cutânea crônica de difícil cicatrização localizada geralmente na região perimaleolar medial, causada pela hipertensão venosa crônica avançada (CEAP C6). Representa o estágio mais grave da insuficiência venosa e afeta ~1% da população adulta. O tratamento de primeira linha combina compressoterapia com curativo especializado. (Raffetto et al., 2021) cicatrizada. Prescrição especializada obrigatória.

Classe IV — >49 mmHg

Linfedema grave, síndrome pós-trombótica. Apenas sob supervisão especializada com avaliação vascular periódica.

Erro comum: usar a meia depois que o edema já se instalou. A meia deve ser colocada pela manhã, antes de levantar da cama — quando o edema ainda está mínimo. Usar uma meia de compressão em perna já edemaciada torna a aplicação difícil e pode criar zonas de compressão desigual.

Cosméticos, cremes e suplementos: o que tem evidência real

Castanha-da-índia (Aesculus hippocastanum)

O extrato de castanha-da-índia é o fitoterápicoProduto medicinal derivado de plantas medicinais com princípio ativo de origem vegetal, composição padronizada e eficácia comprovada em ensaios clínicos. Para ser considerado de primeira linha, deve ter revisão de evidências de qualidade. A castanha-da-índia é o único fitoterápico com revisão Cochrane positiva para insuficiência venosa crônica. (Pittler & Ernst, 2012) com melhor evidência científica na insuficiência venosa crônica. Uma revisão Cochrane analisou 17 ensaios clínicos randomizados e concluiu que o extrato padronizado (com 50 mg de escinaPrincipal componente ativo do extrato de castanha-da-índia (Aesculus hippocastanum). Tem ação venotônica (aumenta o tônus venoso), anti-inflamatória e antiexsudativa. É o componente responsável pelo efeito terapêutico nos estudos clínicos — importante verificar se o produto traz a concentração padronizada de escina. (Pittler & Ernst, 2012) por dose) reduz o edema e melhora os sintomas de IVC de forma equivalente às meias compressivas classe I em estágios iniciais. (PITTLER; ERNST, 2012)

Diosmina e hesperidina (flavonoides micronizados)

A combinação de diosminaFlavonoide venotônico que aumenta o tônus da parede venosa, reduz a permeabilidade capilar e tem ação anti-inflamatória. Sua forma micronizada (MPFF — micronized purified flavonoid fraction) tem melhor biodisponibilidade. É um dos flebotônicos mais estudados, com evidências de melhora de sintomas na IVC. (Nicolaides et al., 2020) e hesperidina (conhecida como MPFF ou pela marca Daflon) é o venotônicoFármaco ou fitoterápico que aumenta o tônus da parede venosa, melhora a competência valvular e reduz a distensibilidade das veias superficiais. Apresentam também ação anti-inflamatória e antiexsudativa. São adjuvantes do tratamento conservador das varizes — não substituem a compressoterapia, mas podem potencializá-la em combinação com outras medidas. (Nicolaides et al., 2020) oral com maior volume de evidências, incluindo ensaios clínicos randomizados e metanálises. Reduz o edema maleolar, melhora os sintomas de peso e dor nas pernas e auxilia na cicatrização de úlceras venosas em combinação com compressoterapia. (NICOLAIDES et al., 2020)

Importante: esses fármacos são adjuvantes — não substituem a compressoterapia nem os exercícios. São mais eficazes quando usados como parte de um protocolo de tratamento conservador completo. A indicação e a dose devem ser avaliadas pelo médico assistente.

Cremes tópicos para varizes: o que dizem os estudos

Cremes com gel de castanha-da-índia têm evidência modesta para alívio sintomático local (redução de dor e sensação de calor), mas a absorção percutâneaVia de administração em que a substância atravessa as camadas da pele para atingir tecidos subjacentes ou a corrente sanguínea. Depende do peso molecular da substância e sua lipossolubilidade. Em farmacologia vascular, a via percutânea da escina da castanha-da-índia é menos eficiente do que a via oral para atingir concentrações terapêuticas sistêmicas. (Pittler & Ernst, 2012) da escina é limitada em comparação à via oral. (PITTLER; ERNST, 2012) Cremes com rutosídeosFlavonoides derivados da rutina, encontrados em plantas como o trigo-sarraceno. Têm ação venotônica e antioxidante, com evidência de redução do edema leve em insuficiência venosa. A evidência é mais robusta para a forma oral do que para a tópica. (Nicolaides et al., 2020) têm evidências similares.

Cremes vendidos como "eliminadores de varizes" não têm base científica. Varizes são dilatações estruturais da veia — nenhum creme tópico reverte essa alteração morfológica. O uso de cremes pode aliviar sintomas, mas não trata a causa.

Exercícios para prevenir e controlar varizes

Os exercícios com maior benefício venoso são aqueles que ativam repetitivamente a bomba muscular da panturrilha: caminhada, ciclismo e natação lideram as recomendações. (SANTOS et al., 2024) A corrida tem benefício similar, mas pode ser desconfortável para quem já tem varizes com sintomas — a impacto repetido pode gerar dor. O exercício aquático tem vantagem adicional: a pressão hidrostáticaForça exercida pelo peso de uma coluna de fluido sobre uma estrutura. Nas veias dos membros inferiores, aumenta proporcionalmente à altura da coluna sanguínea — podendo atingir 80–100 mmHg nos pés durante o ortostatismo estático. Na água, essa mesma pressão atua de fora para dentro, comprimindo os tecidos e favorecendo o retorno venoso durante o exercício aquático. (Rabe et al., 2020) da água exerce efeito compressivo externo que potencializa o retorno venoso durante a atividade. (RABE et al., 2020)

Exercícios de força com cargas elevadas realizados com manobra de ValsalvaExpiração forçada com glote fechada, que aumenta a pressão intratorácica e intra-abdominal. Ao elevar a pressão abdominal, dificulta o retorno venoso e pode agravar temporariamente a hipertensão venosa nos membros inferiores. Por isso, treinos de força com carga alta e retenção da respiração são desaconselhados em pacientes com insuficiência venosa avançada. (Bergan et al., 2006) (retenção da respiração) aumentam transitoriamente a pressão intra-abdominal e podem agravar os sintomas em pacientes com IVC avançada. O princípio não é evitar a musculação, mas adaptar a técnica: respiração adequada e cargas moderadas permitem o treinamento de força com segurança vascular.

Exercícios recomendados × exercícios a adaptar

Melhor perfil venoso

  • Caminhada (20–40 min/dia)
  • Ciclismo e spinning
  • Natação e hidroginástica
  • Pilates (foco em membros inferiores)
  • Yoga e alongamentos

Adaptar (não contraindicar)

  • Musculação: evitar Valsalva e cargas máximas
  • Corrida: usar meia compressiva
  • Exercícios com inversão corporal prolongada
  • Atividades com impacto intenso em IVC avançada

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Referências

  1. LURIE, F. et al. The 2020 update of the CEAP classification system. J Vasc Surg: Venous and Lymphatic Disorders, v. 8, n. 3, p. 342–352, 2020.
  2. AZAR, J.; RAO, A.; OROPALLO, A. Chronic venous insufficiency: a comprehensive review. Journal of Wound Care, v. 31, n. 6, 2022.
  3. RABE, E. et al. Risks and contraindications of medical compression treatment. Phlebology, v. 35, n. 7, p. 447–460, 2020.
  4. BERGAN, J. J. et al. Chronic venous disease. New England Journal of Medicine, v. 355, n. 5, p. 488–498, 2006.
  5. HEIT, J. A. et al. Trends in the incidence of venous thromboembolism during pregnancy or postpartum. Annals of Internal Medicine, v. 143, p. 697–706, 2005.
  6. CORNU-THÉNARD, A. et al. Importance of the familial factor in varicose disease. Journal of Dermatologic Surgery and Oncology, v. 20, n. 5, p. 318–326, 1994.
  7. ROBERTSON, L. et al. Edinburgh Vein Study: prevalence of chronic venous insufficiency in the general population. Journal of Vascular Surgery, v. 47, n. 2, p. 363–372, 2008.
  8. PITTLER, M. H.; ERNST, E. Horse chestnut seed extract for chronic venous insufficiency. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 11, 2012.
  9. NICOLAIDES, A. N. et al. Management of chronic venous disorders of the lower limbs. International Angiology, v. 39, n. 3, p. 175–240, 2020.
  10. LANGER, R. D. Epidemiology of varicose veins. Phlebology, v. 36, n. 1, p. 3–9, 2021.
  11. NAIR, S. Effect of high heels on erect posture. Journal of Chiropractic Medicine, v. 9, n. 1, p. 39–44, 2010.
  12. PERRIN, M. et al. Duplex scanning and phlebography in the investigation of chronic venous insufficiency. International Angiology, v. 32, n. 1, 2013.
  13. LIDEGAARD, Ø. et al. Thrombotic stroke and myocardial infarction with hormonal contraception. New England Journal of Medicine, v. 366, n. 24, p. 2257–2266, 2012.
  14. SANTOS, I. M. et al. Recursos fisioterapêuticos na insuficiência venosa crônica. Contribuciones a las Ciencias Sociales, v. 17, n. 8, 2024.
  15. RAFFETTO, J. D. et al. Why venous leg ulcers have difficulty healing: overview on pathophysiology, clinical consequences, and treatment. Journal of Clinical Medicine, v. 10, n. 1, 2021.

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