Insuficiência Venosa Crônica: Quando a Fisioterapia é Indicada
Por Ana Helena Lopes · Fisioterapeuta · Goiânia, GO
Atualizado em abril/2026
Da prevenção de progressão ao tratamento de úlceras venosas ativas — o papel da fisioterapia especializada em vascular.
A insuficiência venosa crônica (IVC) pode afetar até 40% da população feminina e 17% da masculina, configurando-se como uma das condições vasculares mais prevalentes no contexto clínico. (AZAR; RAO; OROPALLO, 2022) Apesar dessa prevalência, a IVC ainda é frequentemente subestimada em seus estágios iniciais e abordada de forma insuficiente nos estágios avançados. A fisioterapia especializada em vascular e linfologia tem papel central no tratamento conservador da doença — da prevenção de progressão ao manejo de úlceras venosas ativas. (SANTOS et al., 2024)
Mecanismo fisiopatológico
A fisiopatologia central da IVC é a hipertensão venosa crônica, resultante da incompetência das válvulas venosas. Quando as válvulas não fecham adequadamente, o sangue reflui nas veias durante a fase de relaxamento muscular, aumentando progressivamente a pressão nas veias dos membros inferiores. (LURIE et al., 2020) Essa hipertensão venosa crônica gera extravasamento de líquido e proteínas para o espaço intersticial, sobrecarga do sistema linfático, resposta inflamatória local, deposição de hemossiderina na pele e, nos estágios avançados, destruição tecidual e formação de úlceras. (AZAR; RAO; OROPALLO, 2022)
Classificação CEAP — estratificação da gravidade
A classificação CEAP (Clínica, Etiologia, Anatomia e Patofisiologia) é o sistema de referência internacional, atualizado em 2020. (LURIE et al., 2020)
C0
Sem sinais visíveis ou palpáveis de doença venosa
C1
Telangiectasias ou veias reticulares
C2
Varizes — veias dilatadas, tortuosas, acima de 3mm
C3
Edema de origem venosa
C4
Alterações cutâneas — hiperpigmentação, eczema, lipodermatoesclerose
C5
Úlcera cicatrizada
C6
Úlcera ativa — estágio mais grave, exige intervenção terapêutica especializada
Quando a fisioterapia é indicada
A fisioterapia vascular é indicada em todos os estágios da IVC com sintomatologia ou alteração funcional — de C2 a C6. (SANTOS et al., 2024)
C2 – C3
Controle do edema, melhora do retorno venoso, prevenção de progressão
C4
Manejo das alterações cutâneas, prevenção de úlceras
C5 – C6
Tratamento ativo de úlceras, curativos especializados, compressoterapia terapêutica
Pós-operatório
Reabilitação após cirurgia venosa e prevenção de recidiva
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Técnicas fisioterapêuticas na IVC
Compressoterapia
A compressão externa é o tratamento conservador com maior nível de evidência para a IVC. Meias de compressão graduada reduzem a hipertensão venosa, controlam o edema e melhoram a microcirculação cutânea. A prescrição individualizada do nível de compressão em mmHg é essencial. (RABE et al., 2020)
Ativação da bomba muscular da panturrilha
A bomba muscular da panturrilha é um dos principais mecanismos de retorno venoso. Exercícios específicos de dorsiflexão e plantarflexão, alongamento do tríceps sural e cinesioterapia orientada ativam essa bomba e reduzem a estase venosa. (SANTOS et al., 2024)
Tratamento de úlceras venosas
O tratamento fisioterapêutico de úlceras venosas inclui avaliação e preparo do leito da ferida, escolha de coberturas adequadas ao tipo de tecido e ao exsudato, controle da carga bacteriana e compressoterapia terapêutica associada. (SANTOS et al., 2024) A compressoterapia multicomponente é considerada parte indispensável do tratamento da úlcera venosa — sem controle da hipertensão venosa subjacente, a cicatrização é prejudicada independentemente da cobertura utilizada. (RABE et al., 2020)
50 a 75% das úlceras venosas demoram de 4 a 6 meses para cicatrizar, e pelo menos 20% permanecem abertas por mais de 2 anos sem tratamento adequado. O tratamento fisioterapêutico especializado, associado à compressão terapêutica, é o que muda esse prognóstico.
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Referências
- LURIE, F. et al. The 2020 update of the CEAP classification system. J Vasc Surg: Venous and Lymphatic Disorders, v. 8, n. 3, p. 342–352, 2020.
- AZAR, J.; RAO, A.; OROPALLO, A. Chronic venous insufficiency: a comprehensive review. Journal of Wound Care, v. 31, n. 6, 2022.
- SANTOS, I. M. et al. Recursos fisioterapêuticos na insuficiência venosa crônica. Contribuciones a las Ciencias Sociales, v. 17, n. 8, 2024.
- RABE, E. et al. Risks and contraindications of medical compression. Phlebology, v. 35, n. 7, 2020.
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Imagem ilustrativa produzida por inteligência artificial. Não substitui avaliação ou diagnóstico clínico.